As três orquídeas

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Dia 8 de novembro completei 60 anos de uma vida que considero plena e Re me presenteou com a orquídea que parece ter uma pérola. Dias depois, num momento triste, Heda me presenteia a menorzinha acompanhada de frases de quem ama esta mãe que a adora. No dia 25 de novembro recebo  as mais claras na homenagem organizada por Vera Marques (UDESC).

As flores sempre estiveram comigo nos momentos relevantes e desta vez não foi diferente. Desconfio de que, quem me conhece, sabe disso… Brigadu mo quiridus!

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Homenagem que recebi

 

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Tudo começou em 1974, quando comecei a lecionar em Tubarão, no Colégio Pequeno Príncipe – uma escola progressista em termos pedagógicos –, onde vivi a primeira situação relacionada à questão da educação sexual. Na ocasião, olhando hoje de longe, usei o bom senso e me saí muito bem. Se antes já me incomodava com a deseducação sexual que permeava  minha educação familiar e profissional, este episódio reforçou em mim o que há muito vinha amadurecendo: estava determinada a fazer diferente na vida, na minha prática e, modestamente, acho que consegui.

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No estágio do Curso de Pedagogia (Habilitação Orientação Educacional) optei pelo trabalho com alunos do ensino médio com o tema sexualidade do adolescente. Ali percebi o quanto tinha que aprender/estudar para que o meu trabalho fizesse a diferença e não fosse mais uma educação sexual do medo e da reprodução humana. Precisava dominar, também, a linguagem deles para entendê-los e me fazer entender, o que persigo até hoje.

No Mestrado a dissertação não podia ser outra (Educação Sexual na Escola) resultado da pesquisa e da prática em uma escola técnica do Rio Grande do Sul. Embora Orientadora Educacional, não abri mão das aulas, concomitante com o trabalho em gabinete. Chamava de Sessão Coletiva (não havia ‘nota’ apesar da frenquência ser uma exigência da direção): um espaço semanal com cada uma das dezesseis turmas sob minha responsabilidade onde, paulatinamente, fui introduzindo esta temática. Ali começou a sistematização do trabalho ao qual dediquei boa parte da vida profissional, bem como a discriminação (hoje diríamos buylling?) que por muito tempo me acompanhou.

Quando, abruptamente, me vi em Floripa e na FAED/UDESC, retomei o trabalho junto ao curso de Magistério onde levei uma ‘baita bronca’ por ter mostrado um álbum com 4 fotos do meu primeiro parto (feito em casa, com médico,  mas inusitado na época, em 1982) para as alunas do terceiro ano! O início na pós-graduação também não foi fácil, pois os docentes que a frequentavam também, grosso modo, na melhor das hipóteses apenas se permitiam pensar/trabalhar numa perspectiva higienista.

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O departamento ao qual pertenci, aos poucos foi se renovando e o conteúdo próprio da Educação Sexual foi incluído na disciplina de Fundamentos da Orientação Educacional e no Estágio obrigatório. Novos colegas de departamento chegavam e fundamos o NES (Núcleo de Estudos da Sexualidade) e, no bojo da exclusão das disciplinas de Moral e Cívica e OSPB, conseguimos implantar “Noções de Educação Sexual” no primeiro semestre do curso de Pedagogia. Ao mesmo tempo, criamos o primeiro curso de Especialização em Educação Sexual. Paralelamente desenvolvíamos trabalhos de pesquisa e extensão numa fase muito produtiva, mas nem sempre reconhecida na Academia. Mesmo depois de eleita Diretora Geral, não abandonei as aulas e a militância na área. Aposentada, por alguns anos continuei lecionando em pós-graduações, participando de projetos de extensão, palestras, voluntariado,  sempre nesta temática. Até hoje sou ‘viciada’ nisso, embora me dedique à família e ao caravanismo.

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Assim, quando menos espero, vem um convite para participar do Evento da primeira foto, onde fui carinhosamente homenageada como Pioneira da Educação Sexual.

Penso que as fotos retratam a emoção. Vera Marques, ex-aluna e hoje professora, não imagina a dimensão desta homenagem. O filme que passou nesta hora foi mais detalhado e profundo do que este relato e, talvez por isso, minha fala não tenha refletido toda a felicidade e gratidão por ser lembrada ainda em plena atividade, na vida que amo tanto.                           

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Sonia Melo, outra pioneira na FAED/UDESC, também foi justamente homenageada e continua na ativa! Foi ela quem proferiu a palestra de encerramento. Nós duas sabemos como foi duro, desafiador e gratificante. Obrigada, guria, por toda a parceria!

Não cairei na armadilha de nomear os queridos que também contribuíram porque foram muitos. Menos do que os que tentaram impedir, mas com certeza mais qualitativos. Obrigado colegas e alunos, pois se hoje temos história pra contar, se podemos ver a área fortalecida, isso devemos à nossa construção coletiva. 

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Nada disso seria possível se não contasse com a família que me deu e me dá suporte e que, de fato, é a minha vida. Com eles pude e posso ser o melhor e o pior de mim!

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                      “GRACIAS A LA VIDA QUE ME HA DADO TANTO”.

                         

Minha fala
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AMPUTAÇÕES – MARTHA MEDEIROS marthamedeiros@terra.com.br

Quando o filme 127 Horas estreou no cinema, resisti à tentação de assisti-lo. Achei que a cena da amputação do braço, filmada com extremo realismo, não faria bem para meu estômago. Mas agora que saiu em DVD, corri para a locadora. Em casa eu estaria livre de dar vexame. Quando a famosa cena iniciasse, bastaria dar um passeio até à cozinha, tomar um copo d’água, conferir as mensagens no celular, e então voltar para a frente da tevê quando a desgraceira estivesse consumada. Foi o que fiz.
O corte, o tão famigerado corte, no entanto, faz parte da solução, não do problema. São cinco minutos de racionalidade, bravura e dor extrema, mas é também um ato de libertação, a verdadeira parte feliz do filme, ainda que tenhamos dificuldade de aceitar que a felicidade pode ser dolorosa. É muito improvável que o que aconteceu com o Aron Ralston da vida real (interpretado no filme por James Franco) aconteça conosco também, e daquele jeito. Mas, metaforicamente, alguns homens e mulheres conhecem a experiência de ficar com um pedaço de si aprisionado, imóvel, apodrecendo, impedindo a continuidade da vida. Muitos tiveram a sua grande rocha para mover, e não conseguindo movê-la, foram obrigados a uma amputação dramática, porém necessária.
Sim, estamos falando de amores paralisantes, mas também de profissões que não deram retorno, de laços familiares que tivemos de romper, de raízes que resolvemos abandonar, cidades que deixamos. De tudo que é nosso, mas que teve que deixar de ser, na marra, em troca da nossa sobrevivência emocional. E física, também, já que insatisfação é algo que debilita.
Depois que vi o filme, passei a olhar para pessoas desconhecidas me perguntando: qual será a parte que lhes falta? Não o Pedaço de Mim da música do Chico Buarque, aquela do filho que já partiu, mutilação mais arrasadora que há, mas as mutilações escolhidas, o toco de braço que tiveram que deixar para trás a fim de começarem uma nova vida. Se eu juntasse alguns transeuntes, aleatoriamente, duvido que encontrasse um que afirmasse: cheguei até aqui sem nenhuma amputação autoprovocada. Será? Talvez seja um sortudo. Mas é mais provável que tenha faltado coragem.
Às vezes, o músculo está estendido, espichado, no limite: há um único nervo que nos mantém presos a algo que não nos serve mais, porém ainda nos pertence. Fazer o talho, machuca. Dói de dar vertigem, de fazer desmaiar. E dói mais ainda porque se sabe que é irreversível. A partir dali, a vida recomeçará com uma ausência.
Mas é isso ou morrer aprisionado por uma pedra que não vai se mover sozinha. O tempo não vai mudar a situação. Ninguém vai aparecer para salvá-lo. 127 horas, 2.300 horas, 6.450 horas, 22.500 horas que se transformam em anos.
Cada um tem um cânion pelo qual se sente atraído. E um cânion do qual é preciso escapar.

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Crochê de Grampo/Grampada

 

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Faço crochê mas nunca fiz aula. Aprendi ainda criança olhando os outros crochetarem. Assim não tenho os macetes das grandes crocheteiras mas a coragem de tentar fazer e gosto pelo desafio da peça única misturando modelos ou criando.

Quanto ao crochet de grampo tudo começou no dia em que assisti o “Mais Você” e vi a Ana com esta blusa. Fui numa das lojas onde compro linha e ouvi, pela primeira vez, que podia ser (mas não tinham certeza, achavam que era uma espécie de macramê), crochet de grampo.

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No Youtube encontrei vídeos de como fazer isso. Comprei o que faltava para empreender esta que, até então, era pura novidade pra mim.

Não consegui fazer nada apenas olhando os vídeos e já estava decepcionada porque ninguém sabia me ensinar…

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Em março fomos no Encontro do Rancho Móvel em Osório/RS onde encontrei quem sabia fazer a ‘grampada’ como é conhecido por aquelas bandas. Bete (de Arvorezinha), que sabe tudo de crochet, me ensinou gentilmente e disse que antigamente a ‘agulha’ era em forma de U e feita de ferro.

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Queria usar (e usei) o vestido no baile do encontro de Páscoa em Santa Helena e lá fui eu: Re dirigindo o MH e Gracita nas execução das tiras. Para ‘emagrecer’ (kkk) decidi emendá-la no sentido vertical e na dúvida, emendei da forma mais fácil (três laçadas dentro de três laçadas de cada tira, parecido com o da foto abaixo).

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Durante o ano Hedinha enviou fotos de Ivete Sangalo com um vestido perguntando se eu poderia fazer um igual para o Réveillon ao mesmo tempo em que comprei uma revista com a receita de uma blusa semelhante. Tudo conspirava a favor….

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Não deu outra. Percebendo que entre a blusa e o vestido a diferença era de duas tiras achei que seria tranquilo. O tempo passava e eu me envolvia em tanta coisa que percebi que não concluiria em tempo. Aí contei com o apoio da amiga Ivonete: das 16 tiras necessárias faltavam 6 que ela fez em dois dias. Em troca me comprometi a emendar as tiras de sua blusa.

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Fazer as tiras e agrupá-las formando o desenho desejado como indicado na revista foi fácil. Emendá-las, pra mim, foi trabalhoso porque ficava torto. Fiz e refiz algumas vezes. Só tive sucesso quando emendei os pontos centrais das tiras transformando duas em uma e sem emendas nos lados e só depois emendar com outra no sentido horizontal. Penso que seja mais fácil duplicar os pontos e fazer frente e costa numa tira só, resultando em apenas uma emenda na trama central.

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Acima outros ‘modelitos’ colhidos na Internet

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“Menopausa” (texto de Hilda Lucas)

 

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“É mais ou menos assim: um dia você acorda quadrada, ou talvez, ballonnée, ou pior, com jeito de matrona!

A menopausa não é colega – ouvi de uma mulher numa sala de espera de dermatologista. Estávamos as duas com os rostos inchados e chamuscados por lasers e peelings, folheando perversas revistas de moda e frivolidades, onde todos são jovens e felizes, depositando míseras gotículas de esperança nos raios que nos partem daqueles aparelhos de última geração. Balancei a cabeça como uma vaca no matadouro e, sem pestanejar, movida pela absoluta cumplicidade daquele instante, falei para a minha colega: A menopausa é uma filha da mãe, isso sim! Caímos na maior gargalhada e assim ela se tornou a minha primeira amiga de menopausa.

A menopausa é um sequestro. Uma versão, só para mulheres, de praga bíblica. Inferno astral que antecede a terceira idade. É tragicômica, portanto, para encarar, só rindo. Um dia você está no meio da sua normalidade, é arrancada de tudo que você tem como referencia física de si mesma e é lançada a uma espécie de funilaria às avessas. A libido diminui na mesma proporção em que aumenta a irritabilidade.

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Você não só não pensa tanto, nem gosta tanto, nem se importa tanto mais com sexo, como para compensar vira uma criatura instável, pavio curto, sem paciência para nada, capaz de discutir com um poste, de deprimir à toa, ter crise de choro com anúncio de seguradora e ataque de ansiedade ao ler o jornal. Enfim, você vira uma pessoa bem complicada, ou melhor, complexa. E, até então, você achava que TPM era o pior que podia acontecer.

Os sintomas aparecem inadvertidamente , como assaltantes, em maior ou menor intensidade, bizarros e infalíveis. Lá estão eles: ressecamento – escolha onde você terá; celulite – a pele de pêssego é substituída pela casca de laranja; flacidez – é a triste irrevogabilidade da lei da gravidade; manchas senis – essas pelo menos trazem o consolo dos muitos verões bem vividos; insônia – e com ela balanços complicados da vida; calores – esses são um requinte de crueldade, tão desprovidos de sentido que nos fazem refletir sobre a transcendência da agonia dos ovos cozidos;

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esquecimentos – sua memória vira uma espécie de vácuo e você passa por constrangimentos inenarráveis como aquela frase típica: “sabe aquele filme, daquele diretor, com aquela atriz, como é mesmo o nome?”;

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ossos de papel – e o perigo de tombos ridículos resultarem em cirurgias espetaculares onde pinos e próteses são implantados sem cerimônia; cabelos ralinhos de palha de milho – a sua trança de potranca virou um tererê; cintura – convexa ou quase inexistente com direito àqueles dois afundadinhos nas costas, como se você fosse feita de massinha de modelar; olhar – embaçado por uma nata azulada (catarata, não!!!) toldado por pálpebras fofas, generosas – e você começa a achar que tem ascendência mongol; juntas sacanas – com data de validade vencida e, como se não bastasse, a lembrança recente, acachapante, perturbadora e descompassada de como você era antes da menopausa. Você era jovem ontem! Que dó, que desperdício!

Esse é o ponto crucial: o estranhamento entre o que vemos e a nossa imagem interna. Não se trata da negação da velhice, da morte. Não. É bem mais simples e raso: você simplesmente não gosta do que vê! Trata-se de uma incapacidade temporária para sobrepor imagens, aceitar limitações, apurar um outro olhar.

Você ainda não tem parâmetros para entender em que você está se transformando. Você resiste bravamente. Convoca uma legião de especialistas, as forças do Bem, o exército da salvação. Faz reposição hormonal, contrata um personal, da uma passadinha na sex shop, engole quilos de soja, linhaça e sucos de cramberry, toma antidepressivo, Omega 3, aplica botox, faz drenagem linfática,

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vai ao plástico, ao dermatologista, ao ortomolecular, à nutricionista, ao psicanalista, ao astrólogo, à fisioterapeuta e ouve o seu ginecologista como se ele fosse o oráculo de Delfos. Seus modelos e referências estão no passado e a menopausa – trombeta apocalítica – anuncia um futuro onde você vai ter de mostrar que aprendeu lições, mereceu cada ruga e está pronta para mais trinta anos.

A menopausa é uma puberdade invertida. E, como tal, é também casulo, travessia, transformação. Divisor de águas, experiência de deserto, freio de arrumação, faxina. Teste crucial de espírito esportivo, capacidade de adaptação e instinto de sobrevivência.

Passa. Demora, mas passa, e você sobrevive, como sobreviveu à pororoca hormonal da adolescência; você há de superar o declínio daqueles mesmos hormônios e seus asseclas que um dia já te enlouqueceram. (Esqueceu que você sobreviveu, com muito menos recursos, às cólicas, às espinhas, aos pelos encravados, aos ovários policísticos, à vergonha do próprio corpo, à oscilação de humos e à melancolia dos anos tenebrosos da adolescencia?)

E aí, passada a tempestade, vem a bonança, a libertação. Você estará livre de ter que ser bonita, magra, eficiente, querida, desejável, vencedora, fértil, competitiva, invejada, elegante, gostosa, informada, culta, legal, conectada, tudo ao mesmo tempo. Ufa!!!

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Depois dos achaques, perrengues e mudanças, a menopausa inaugura a maturidade: a síntese da mulher que você construiu ao longo dos anos, fases e etapas, a essência que fica, depois que os papéis de jovem fêmea produtiva estão cumpridos. Seu rosto é a cara da sua vida. Sua bagagem é tão grande que dá para jogar fora um monte de supérfluos e pesos mortos. Seu tempo é só seu e você não precisa provar mais nada para ninguém. seu maior desafio é ter-se tornado uma boa companhia para si mesma. Você reformula premissas, um estar no mundo mais relaxado, uma maior complacência com suas imperfeições, dificuldade e vícios. Você já não quer mudar o mundo, você quer compreende-lo; você já não precisa agradar às pessoas, você quer viver em paz e ser respeitada. Não há mais pressa; a vida vira um bom vinho a ser apreciado, com generosidade e prazer.

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A menopausa é um tremendo rito de passagem. Talvez o último antes da definitiva passagem. Inevitável e necessário. Coisa de gente grande. O relógio biológico é inclemente, imparcial e, portanto, justo. Haja coragem e bom humor! Não há negociação possível, apenas a vida seguindo seu curso.

Então, que venham os ciclos, todos. Com seus sustos, sombras e transformações. Com suas libertações, rearranjos e alegrias. Que venham os dias, as horas, as marés, as auroras, todas.”

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Hilda Lucas

São Paulo, 24 de fevereiro de 2013.

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FEMINISMO PARA LEIGOS

Nada como um texto inteligente e didático para começar o dia. Divido com vocês este da Clara Averbuck (publicado em 28.06.2013 na Revista Carta Capital) que li no FB hoje.

“Será que você sabe o que é feminismo? Descubra.
É assustadora a quantidade de gente que não sabe o que é feminismo. Ninguém tem a obrigação de saber, é claro, mas a partir do momento em que você decide opinar sobre um assunto, é de bom tom saber do que se trata. As pessoas são “contra” o feminismo sem sequer saber o que significa.
É comum escutar:
“Não sou feminista, sou feminina”,
“Não sou feminista e nem machista”,
“Não sou feminista e nem machista, sou humanista”,
“Não sou feminista, os homens são meus amigos” (essa chega a causar azia),
“Não sou feminista, acho que todos deveriam ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos”.
Bom, vamos lá.


Feminismo não prega ódio, feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. Feminismo clama por igualdade, pelo fim da dominação de um gênero sobre outro. Feminismo não é o contrário de machismo. Machismo é um sistema de dominação. Feminismo é uma luta por direitos iguais.
Então se você diz “não sou feminista, acho que todos deveriam ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos” você está dizendo, exatamente: “não sou feminista, mas sou feminista”. E se você se diz humanista, bom, acredito que saiba então que o humanismo é uma filosofia moral baseada na razão humana e na ética, que coloca o ser humano acima do sobrenatural, de deuses, de dogmas religiosos, da pseudociência e das superstições e que não tem nada a ver com o assunto.
Existe essa grande falha lógica que é o sujeito achar que você tem que ser contra uma coisa pra ser a favor de outra; neste caso, “contra” os homens para ser “a favor” das mulheres. O feminismo não luta contra os homens, e sim contra o supracitado sistema de dominação, que, veja só, privilegia os homens e foi criado por… homens. Fica clara a diferença entre lutar contra um sistema e lutar contra todo um gênero?
Feminismo não tem nada a ver com deixar de usar batom, salto ou dar de quatro.
Feminismo não tem nada a ver com ser inimiga dos homens.
Feminismo não tem nada a ver com esconder o corpo; muito pelo contrário, exigimos o direito de andar com a roupa que bem entendermos sem assédio ou constrangimentos. Taí a Marcha das Vadias que não me deixa mentir.
Feminismo não tem nada a ver com morrer solteira de bigode.
Feminismo não tem nada a ver com não ter filhos, e sim com a escolha de como e quando esses filhos virão, e se virão.
Feminismo não tem nada a ver com não ser feminina.
E nem com ser.
Feminismo tem a ver com liberdade, com eu, você, elas e eles podermos todos viver e ser sem ninguém dando pitaco em como devemos nos portar, como devemos nos vestir, o que devemos dizer, do que devemos fazer com nossos corpos.
Outra coisa importante: nem todas as feministas estão de acordo a respeito de todos os tópicos. Cada um constrói seu feminismo. Como disse a Tavi Gevinson, a jovem editora da RookieMag, em uma palestra do TEDxTeen, o feminismo não é um livro de regras, mas uma discussão, uma conversa, um processo. E cada um tem o seu.”Feminismo, caros, não é uma seita que reprime e excomunga quem quebra seus preceitos.”
Vale sempre lembrar que o mundo machista também oprime os homens com esse negócio de que eles têm que ser os provedores, que eles têm que ser durões, que não podem chorar, que não podem demonstrar nenhuma característica atribuída ao feminino porque isso é considerado uma fraqueza – já que as mulheres são consideradas mais fracas, logo, inferiores. Gay é “xingamento” porque ser gay é ser um homem mulherzinha. Gente, não dá mais isso, 2013, sabe? Chega de reproduzir conceitos sem sequer parar para pensar neles.
Há um teste simples pra saber se você é feminista.
1. Você concorda que uma mulher deve receber o mesmo valor que um homem para realizar o mesmo trabalho?
2. Você concorda que mulheres devem ter direito a votarem e serem votadas?
3. Você concorda que mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha da profissão, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?<
4. Você concorda que mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?
5. Você concorda que cuidar das crianças seja uma obrigação de ambos os pais?
6. você concorda que mulheres devem ter autonomia para gerir seu dinheiro e seus bens?
7. Você concorda que mulheres devem escolher se, e quando, se tornarão mães?
8. Você concorda que uma mulher não pode sofrer violência física ou psicológica por se recusar a fazer sexo ou a obedecer ao pai ou marido?
9. Você concorda que atividades domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?
10. você concorda que mulheres não podem ser espancadas ou mortas por não quererem continuar em um relacionamento afetivo?
Respondeu sim pra tudo?
Está confortável na cadeira?
Você é feminista. Uau!
Você não precisa ser ativista para ser feminista. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Se você acredita na igualdade de direitos entre homens e mulheres, você é feminista.
As pessoas confundem feminismo com um monte de coisas. As pessoas têm medo da palavra FEMINISMO.
Feminismo. Feminista. Feminismo. Feminista. FE-MI-NIS-MO.
Feminismo é sobre liberdade.
E é difícil ser realmente livre neste mundo.”

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A Bela e a Fera (y otras cositas)…

Há 29 anos encomendei/comprei quatro alpargatas bordadas: verde, preta com flores coloridas, preta com dourado (com uma bolsinha igual) e vermelha. De tanto uso elas foram rasgando e as fui dispensando.

Quando a última ameaçou ‘me abandonar’ fui dando uma ‘guaribada’ e assim, embora com pouco uso por um bom tempo, ela foi resistindo.

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No mais recente encontro de MH ela deu seu último suspiro e, depois de muita gozação, finalmente, ‘entendi que a despedida era inevitável’…

Tentei ‘compensar a dor’ bordando uma sapatilha vermelha (Havaianas) e só consegui confirmar minha total incompetência para esta tarefa e que, além disso não gosto e não consigo fazer nada repetitivo (e ‘pares’ significam repetição)!

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Imagino que a maravilhosa artesã das alpargatas bordadas já não esteja entre nós mas aqui fica minha humilde homenagem ao seu magnífico trabalho (e a triste confirmação da minha incapacidade para imitá-la)!


Mas nem tudo está perdido pois em outros trabalhos não fui tão ruim assim…

Hardanger:

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e outros bordados

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E na pantufa que a saudosa amiga Hilda Bianchi pediu que eu copiasse de uma feita por sua mãe (a original devia ter uns 50 anos)…

                                                                                     Smiley piscando

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